Máscara do que não se é?

Máscara do que não se é?
"Assemelham-se, porém não são. São, mas não se assemelham. Um jogo de esconde. Como se entrássemos num labirinto de espelhos, e perdêssemos a imagem verdadeira. Ou todas as imagens à nossa volta dadas como verdadeiras. Aceitar todas, admitindo a multiplicidade, ou permanecer em busca da única?" - Não verás país nenhum - Ignácio de Loyola Brandão.

Solidão quando almejada

Solidão quando almejada
"Eu era um homem que se fortalecia na solidão, ela era para mim a comida e a água dos outros homens. Cada dia sem solidão me enfraquecia. Não que me orgulhasse dela, mas dela eu dependia. A escuridão do quarto era como um dia ensolarado para mim. Tomei um gole de vinho". (Charles Bukowski – Factótum, cap. 17, ed. lp&m e "Melancholy" - Van Gogh 1883).

17/09/2008

"Um café preto até passa..."

Mais uma expressão racista ouvida de alguém que se diz de “de deus”. Desta vez foi ainda mais doloroso porque foi dita diretamente à minha pessoa, com a intenção de que eu viesse a concordar plenamente. Raiva? Pena? Ojeriza completa pelo ser que a proferiu? Talvez tudo isso junto venha a explanar o que senti no exato instante em que tais palavras invadiram meu corredor auricular e me transtornaram os sentidos. O mais aterrador é saber que tal expressão e outras tantas são faladas / ouvidas a todo o instante e são encaradas como perfeitamente aceitáveis. Cheguei a comentar com algumas pessoas e algumas delas me deixaram ainda mais estarrecida, pois disseram: “Isto é racismo, mas e daí? A presença dele é mais comum do que lixo espalhado pela metrópole”. Sim, já estão encarando (ou será que jamais deixaram de encarar?) os preconceitos como notórios! Anormal seria não tê-los. Oh, que mundo é este o qual vai sendo devastado pela hipocrisia, resignação e pela falta de noção? Quem chega à conclusão de que a raça influencia na essência não pode ser considerado provido de noção existencial.
O que fazer em casos assim? Tentar mostrar o quanto estão erroneamente pensando e agindo? Simplesmente explanar opiniões contrárias para que percebam que não são portadores da verdade? Deixar passar porque as palavras que existem para combater os dogmas geralmente são jogadas ao vento já que mentes comuns ao extremo não mudam?
Ainda não me adaptei à idéia de resignação, por isso não me calo e pelo mesmo motivo os ditos de “louca” não cessam. Se realmente o “amanhã é dos loucos de hoje”, não vejo a hora do hoje chegar ao fim!