My strong demons
Know how I hate you
When my bedroom is full
Of your smoke
And it comes inside my eyes
As big pieces of stones in a terrible joke
Leaving me so doped.
I hate you
Really hard
Because your voice
Cuts me completely
And there´s no choice
I keep hating you
When you make me company
Staying so quiet.
And when you don´t let me in loneliness.
I die when you appear so cold
And when you back too
Even dead, I still hate you
When you don´t show yourself in light.
Oh, I do hate you even
When you insist to disappear
And catch myself in darkness.
Solidão quando almejada
"Eu era um homem que se fortalecia na solidão, ela era para mim a comida e a água dos outros homens. Cada dia sem solidão me enfraquecia. Não que me orgulhasse dela, mas dela eu dependia. A escuridão do quarto era como um dia ensolarado para mim. Tomei um gole de vinho". (Charles Bukowski – Factótum, cap. 17, ed. lp&m e "Melancholy" - Van Gogh 1883).
26/07/2008
Hating you
Falta de respeito não tem a ver com cor da pele!
A pressa pode (como é muitas vezes) ser usada como justificativa para a falta de vergonha na cara ou para que o respeito deixe de ser praticado.
“Tinha que ser branco!”, foi o que ouvi na seguinte situação meramente cotidiana (até quando???): uma mulher e um homem negros passavam, ele, por sua vez, carregava uma garrafa. Um outro homem (este branco, mas... e daí?) passou por eles e sem querer ou não bateu no ombro daquele e com isso a garrafa caiu molhando um pouco da calça do mesmo. Então, o homem negro fica furioso porque o homem branco saiu caminhando como se tudo estivesse normal. Ou será que ele ficou furioso não pelo fato de não ter escutado as desculpas, mas sim porque foi um homem branco que o fez derrubar a garrafa? Se fosse um negro como ele, ele nem teria reclamado? E se tivesse reclamado, como o teria chamado “de negro desgarrado de sua raça?”. O que sei é que vi ali um exemplo do preconceito de um daqueles que mais sofrem preconceito. Sofrem sim e isso vem desde o tempo histórico da escravidão. Foram libertados de trabalhar sem receber, mas suas amarras permaneceram. Sofrem, mas também acometem aos outros o mesmo tipo de preconceito. Só que não existe ofensa quando chamam alguém de branco. Por quê? Porque é a raça dominante? Em nosso país os negros são a raça dominante. E como a minoria ainda se gaba de ser branca? E como consegue sustentar o preconceito? E como consegue difundir o preconceito até mesmo naqueles que o sofrem? Alguém dirá “ah, eles estão pagando na mesma moeda”.
De qualquer forma, o que preciso ainda dizer é que aquela situação ocorreu não por causa da raça e sim por falta de respeito mesmo. O homem que esbarrou no outro poderia ter se voltado, dito que não teve a intenção ou que não o viu ou então que estava com pressa, enfim, algumas palavras ali poderiam ter sido determinantes para que o dito de preconceito não tivesse poluído meus sentidos.
O que sobra é uma revolta por ver cada vez mais que ainda confundem a aparência física com o que somos no íntimo. Uma face dentro dos padrões sociais pode ocultar uma alma insana. Um aspecto medonho pode encobrir uma mente inigualável! Cor da pele? E isso ainda conta? “Oh, desenvolvidos somos!”. Esta frase soa muito bem como a ironia mais incrível de todos os tempos!
24/07/2008
Todos querem respostas
Mas, não é possível,
Em algum canto – eu sei –
elas resistem.
Nunca pedi além
do que todos pedem.
Enquanto todos cheirosos,
Eu exalava pior do que
Uns poucos que,
desgraçadamente fedem.
Sempre em busca,
todavia sem em nada
deliberadamente acreditar.
Seria o brilho alheio que me ofusca;
a voz que
(não minha)
mais alto diz
ou será a podridão
(essa sim minha e somente minha)
de minha existência
que nunca permitiu
que eu encontrasse
a invenção que todos julgam verdade:
Respostas para acreditar
Respostas até para sonhar
Respostas para sofrer
Respostas para persistir em viver!
11/07/2008
Dark Little Brena
A Perfect Circle - Brena
Na última noite em que passou na companhia dos pais debaixo daquele viaduto, quis dar-lhes um pouco do seu sangue. Com um tapa da mãe foi atirada longe. Chegou a bater na marquise e quase perdeu os sentidos, só não os perdeu porque apertou novamente o pedaço do espelho e ele respondeu fazendo seu sangue saltar. Olhava sua mão, via o brilho da lua refletida em seu sangue que escorria, que pingava, que lavava não apenas o seu externo como o interno. Fechava os olhos e continuava sentindo sua força pulsar de dentro para fora. Rastejando em busca das sombras que estava acostumada a encontrar na madrugada a qual somente ela sabia aproveitar, visualizou uma que ainda não havia visto por ali. Corria dela. Se ocultava no teto. Mas Brena jamais se enganava. Estariam juntas em breve. Com os pés descalços, escalavrados, Brena esperava com olhos penetrantes que a sombra nova aparecesse, se apresentasse a ela. E enquanto esperava, segurava firmemente o pedaço de espelho roto. Mordia os lábios com a intenção de que os dentes fizessem o mesmo que o espelho fazia com sua mão. Os olhos retumbaram podridão e lascívia assim que a sombra se aproximou. Brena correu e a sombra foi atrás. Na escadaria pararam. Brena quis cortar a mão da sombra, mas cortava a si mesma. Já fazia o caco passar por seus braços, pernas, pescoço, cabeça, olhos, nariz, boca. Seu corpo lavado em sangue a fazia livre. Carregada por aquela sombra e por todas as outras que já a conheciam, foi parar onde não se pára de cair no desespero: na terra da Angústia. Ali Brena não precisava mais esmolar. Tinha todo o tempo livre para se cortar. O sangue jorrava. Lavava seu corpo, sua alma… e nunca era o bastante. Nas águas escuras que se tornavam mais frias durante à noite, ela lia sua essência representada por uma onda que fazia vibrar tudo em volta. O sangue pingava na água, tornava tudo incandescente. O mar em fogo gélido. O fogo em água que queima. Suas pegadas na areia eram como demarcações eternas numa pele sensível, como uma pedra maculando um peito, como um ferro rachando um crânio, como uma lança furando espáduas ou como um chão áspero ferindo uma face que nele cai fatalmente.
Brena estava livre. O sangue a libertava. Quando queria partir invocava as sombras. Elas apareciam e a carregavam até onde sua alma pudesse se sentir confortável para que suas perdições pudessem ser colocadas em prática. Eram as vítimas que ela buscava agora: todos e qualquer um. Todos serviam. Eram todos da mesma raça comum nauseante. Do meio da noite saltava em jugulares arrancando deles o que não precisavam. Eram não merecedores da vida. A morte lhes caía melhor. O sangue impuro e alheio tornava-se em suas mãos o sangue mais elevado. E quando pensava que tudo ia terminar, que iam descobri-la, que iam impedi-la de continuar, tinha sempre o pedaço do espelho para confortá-la. Bastava um toque e ele respondia: “Brena, dear Brena, I Will heal you now!”.
Num sussurro estranho, viu-se presa. Presa como nunca. Presa a ponto de já nem conhecer mais o que era ser livre. Vendas nos olhos, amarras nas mãos, mordaça na boca... queria ter as mãos livres, pelo menos, para poder tocar em seu pedaço de vidro, mas não podia... a dor tomava conta, mas era a dor que não acalentava sentir. A dor da prisão que não se almeja, que não se escolheu. Que sussurro era aquele? Que vozes que tão alto falavam, mas que nada e de forma alguma se faziam entender? Ela queria saber... chamou pelas sombras. Não vieram. Provavelmente estavam presas igualmente. Clamou por seres das trevas. Ninguém. Roçou-se na parede até que as amarras caíram. Sem nem mesmo se importar com a visão ou com a mordaça na boca, procurou o espelho. Lá estava ele. Ele novamente para libertá-la. Nem que fosse pela vez derradeira. A cabeça tombou para trás quando sentiu o sangue sair. Brena, Brena, Brena... até o fim fatídico LIVRE.
04/07/2008
Just Some Blood (??!!?!)
Um instante. Muito tempo. Tudo depende da intensidade. Foi enorme. Níveis inimagináveis. O instante: cabeça jogada contra o vidro, sangue brotando da fronte. Dor. Perda de sentidos. Muito tempo: estava por ali querendo tudo, inventando para sobreviver a ele mesmo. Não fazia mal nem bem. Não chorava porque bastava a alma rasgada mostrando-lhe que nunca seria capaz de afastar-se de si mesmo completamente. Pingavam ojerizas pela vida. Todo o tempo um só; dias inteiros numa só hora fatídica; um segundo dolorido dentro de dez anos mal-vividos. O antes refletido no sempre. O agora sempre presente naquele outrora. Medo. Revolta. Angústia. Frustração. Fingimento alheio. O pagamento pela aceitação e demonstração própria. Incoerência assistida. Sentida. Jamais acalentada. Desespero. Mais desespero. Mais um pouco. Olhos vidrados no intrínseco. Boca sedenta pelo próprio sangue que é o de todos aqueles que à margem são jogados. Dor por todos que possuem a mesma dor.
Outra margem
Trevas. Ruídos animalescos ecoavam por entre as poucas paredes que ainda estavam de pé naquelas ruínas. Danna caminhava apressadamente por entre antigos ciprestes e carvalhos, pedaços de suas vestes esvoaçantes iam ficando presas nas árvores, deixando-a quase que totalmente nua. Pisava nos cascalhos, ferindo os pés descalços e, com isso, deixando a marca de seu sangue por onde passava. Quando sentiu seus pés tocarem numa relva macia, respirou mais tranquilamente. Sabia que o riacho estava ali por perto. Esqueceu que era a época das rosetas na grama. Os pés já outrora maculados, sangravam mais e mais a cada novo passo que dava. A respiração ofegante a denunciava presente naquele local proibido. Olhando para o céu, viu as nuvens começarem a se afastar, logo a lua estaria por ali... e ela precisava chegar até à água antes. Exasperou-se, tentou correr, mas tropeçou em pedaços duros de algo que não identificou no momento e em alguma ponta feriu-se no joelho. Seus gritos ecoaram num uníssono juntamente com os ecos dos ruídos que vinham de longe. Respirou o ar gélido da noite e encontrou forças para prosseguir. Tocou em seu joelho e identificou o sangue escorrendo. Era quente. Tremeu. Deu mais alguns passos e sentiu seus pés afundarem no barro. Estava praticamente nas margens do riacho. Nesse momento, as trevas foram invadidas pela luz funestamente escarlate da lua. Danna sentiu perder-se por todos os meandros de suas incógnitas passadas e atuais. Viu a água caudalosa vibrar em seu ‘desritimado’ compasso, abriu os braços, preparou as pernas para carregarem o corpo todo até o mergulhar que lhe tiraria da angústia de respostas ocultas. O véu da incompreensão seria rasgado. Seria? Pelo menos assim pensava ela. Danna. Danada estava. Condenada igualmente. O que havia naquela água? Somente quando mergulhou no vazio pôde perceber que estava adentrando no abismo mais doloroso de todos: sua própria alma. Trevas. Ruídos animalescos ecoavam...