Máscara do que não se é?

Máscara do que não se é?
"Assemelham-se, porém não são. São, mas não se assemelham. Um jogo de esconde. Como se entrássemos num labirinto de espelhos, e perdêssemos a imagem verdadeira. Ou todas as imagens à nossa volta dadas como verdadeiras. Aceitar todas, admitindo a multiplicidade, ou permanecer em busca da única?" - Não verás país nenhum - Ignácio de Loyola Brandão.

Solidão quando almejada

Solidão quando almejada
"Eu era um homem que se fortalecia na solidão, ela era para mim a comida e a água dos outros homens. Cada dia sem solidão me enfraquecia. Não que me orgulhasse dela, mas dela eu dependia. A escuridão do quarto era como um dia ensolarado para mim. Tomei um gole de vinho". (Charles Bukowski – Factótum, cap. 17, ed. lp&m e "Melancholy" - Van Gogh 1883).

28/06/2008

Pensando a existência!


Sentado aqui observo tudo a minha volta. Ou será que penso que observo? Quem pode me confirmar que realmente acordei e de fato caminhei até este café? Sim, sei que caminhei nesta direção e por isso aqui cheguei, mas resta saber se foi no plano real ou no da ilusão. E se... e se minha vida toda não passar de tão somente um sonho? Se for assim, nenhum pesadelo conseguiria ser mais longo e destrutivo. E se eu não passo do pensamento insano de alguém? E se eu apenas penso que estou pensando nisso tudo? Mas... se penso tudo isso, será que pensaria num café gelado? E será que pensaria num cigarro terminando em breve? Talvez sim. Talvez não. Quem poderia afirmar que temos pleno domínio sobre o que pensamos? Mesmo assim... dói saber que se realmente estou pensando nisso tudo, penso num café servido gelado e num cigarro rapidamente tragado.
Ainda no campo das probabilidades, se eu fosse capaz de pensar que penso num café fervendo, confundiria eu a fumaça do café com a do cigarro? E se eu penso que penso que o café está frio? E no campo real ele está quente transbordando fumaça? Quando eu terminar o café, o terei terminado mesmo ou estarei ainda pensando?
Se eu for o pensamento de alguém, provavelmente estou ocupando todo o tempo que tal pessoa possui, mas se eu fosse esse alguém o qual me imagina e por isso existo, me sentiria orgulhoso de ter a competência de criar um ser com toda essa grandiosidade e relevância!
Estou me vendo pagar o absurdo que me veio de conta ou estou me vendo achatar a cabeça da garçonete contra a parede? A fumaça que entra em mim não é a mesma que sai. A que entra ainda não possui a importância da que sai, pois esta última está impregnada do meu ser, está levando muito do que sou. No minuto anterior eu tragava. Agora, solto. Será que solto a fumaça quando a sinto sair? Será que a trago quando a sinto entrar? Ou será tudo ao contrário do que sinto? O que existe é o sinto ou o que posso ver?

Não me importo que não seja real o que sinto, de alguma forma será sempre o real que quero continuar acreditando, mesmo que não seja! Não sei se paguei a conta, menos ainda se matei a garçonete. Se por acaso não a matei não foi por falta de merecimento nem de vontade...
Sou muito perfeito para o mundo ou o mundo é muito imperfeito para mim?

4 lágrima(s) de sangue derramada(s):

lf3.hora disse...

Gostei das histórias, Fernanda.
Força sinistra!

Bom fds!

Bruno disse...

Oi, fê! Antes de passar por aquele blog que me indicou, não posso deixar de comentar por aqui. Gostaria de comentar muito mais, no entanto, a falta de tempo, exatamente a ausência do tempo total que preciso, me assola. Mais uma vez gostei da relação imagens texto. E há tempos não lia algo que fizesse tanto sentido no que se refere ao existir. Exatamente essa falta de "algo comum" me faz lembrar do nosso livro predileto do Pessoa. Tantas contradições no existir!!! Tantas mais na forma como somos encarados!!!! A parte da famaça é ímpar! E a questão de não saber o que é o real e o que é apenas o pensar de alguém reflete muitos dos papos que já tivemos. A Matrix está por aí. Saberemos o que ocorrerá? Acredito que não. Fazer o que? Esperar pela morte, mas esperar adquirindo o máximo de conhecimento que puder. Como sempre, quando preciso refletir aqui é o local certo para "aparecer".

"A vida respirou quando deixei ela partir" Camilo José Cela.

Rafael disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Rafael disse...

Sinto que quando o teu texto foi escrito ele já fazia parte da narrativa visual, interessante que depois que li com as imagens cheguei a conclusão que o norte que me foi dado serviria de inspiração para mais quadros...
Realemente sem teu texto os desenhos seriam meros rabiscos Raven!

(comentário prévio deletado, teclado não estava nos melhores dias)