Por entre brumas do dia, por entre raios da noite, ele, o só, aquele que tudo via, mas que mesmo assim era considerado menos que ignorado pó, apanhou um livro, virou a cadeira para a parede, para o não-comunicável e ali a solidão deu-se em forma pouco rude de compreensão. Viu-se nu, mas não mais só. A cabeça pendia em busca de mais expressões que o atestassem apenas alguém insólito e aceito como aqueles tantos personagens. Queria permanecer por lá... mas já estava de volta. A parede suja e comum. Seus sapatos rotos. Sua pele flácida. O livro segurou-o pelos braços.
Solidão quando almejada
"Eu era um homem que se fortalecia na solidão, ela era para mim a comida e a água dos outros homens. Cada dia sem solidão me enfraquecia. Não que me orgulhasse dela, mas dela eu dependia. A escuridão do quarto era como um dia ensolarado para mim. Tomei um gole de vinho". (Charles Bukowski – Factótum, cap. 17, ed. lp&m e "Melancholy" - Van Gogh 1883).
29/03/2008
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